O Brasil que Paga a Conta
Nesta postagem, trago um manifesto em versos sobre o cenário atual do nosso país. Entre manobras monocráticas, omissões no Congresso e a blindagem escancarada de quem deveria estar sob o rigor da lei, a corda sempre arrebenta no lado mais fraco. No ritmo do Martelo Agalopado, critico os entraves das oitivas e a inércia dos que se curvam ao poder, esquecendo-se de quem os colocou lá. Como diz o ditado que dá título a este cordel.
A poesia nordestina nunca foi de se calar diante dos mandos e desmandos de quem se acha dono da verdade. Hoje, de forma poética, a academiadoquengo.blogspot.com, através deste blog, bota o dedo na ferida da política nacional. Do silenciamento das CPMIs aos banquetes regados a privilégios em Brasília, transformei minha indignação em décimas de martelo. É um grito por harmonia entre os poderes, mas, acima de tudo, por respeito ao povo brasileiro, que trabalha de sol a sol enquanto assiste à impunidade desfilar de colarinho branco.
Quem pode manda. Quem não pode paga a conta
I. O Cenário da Ganância
Vejo o trono erguido na ganância
Onde a lei se dobra ao interesse
Pudesse o povo ver, e se pudesse
Veria o peso da intolerância.
Ladrão de colarinho e de elegância
Que rouba o pão, o sonho e o hospital
Faz do congresso o seu quintal real
Protege o par, esconde a maracutaia
Mas não há rede que o peixe não caia
Na tribuna do juízo final.
II. A Inércia do Congresso
Onde a lei deveria ser barreira
Vejo o medo em cadeira estofada
A tribuna encolhida e acovardada
Curvando a espinha de forma rasteira.
A Carta Magna virou brincadeira
Rasga-se o rito, o brio e a razão
Quem foi eleito pra ser o guardião
Se faz de servo, se omite e se cala
Deixando o juiz ocupar a sala
E as ordens de fora virem ao chão.
III. A Traição ao Voto
O voto foi dado com esperança
Mas quem se elege logo se esquece
A voz do povo na rua fenece
Enquanto o poder faz sua dança.
Onde se espera firme confiança
Vemos o jogo, o conchavo e o breu
O soberano que nos prometeu
Hoje se cala diante do açoite
Deixa a justiça sumir na noite
E o sonho de um povo que já morreu.
IV. A Resistência na CPMI
No meio do caos, da voz silenciada
Por ordens que descem de um só gabinete
Onde o direito padece no açoite
E a busca da prova se vê bloqueada.
Ainda se ergue a face honrada
De poucos que honram o seu compromisso
Enfrentam o muro, o receio e o feitiço
Nas oitivas que buscam a clara verdade
Lutando com garra e com dignidade
Contra o sistema que serve ao vício.
V. A Ironia dos Obstrutores
Tem gente que o voto nega e se esconde
Mas na hora do embate aparece
A lógica clara logo fenece
Pois ninguém explica o como e o onde.
O cego não vê, o mudo responde
Blindando o culpado com tal maestria
Transformam a busca em pura folia
Criando conflito, fumaça e barulho
Pois pra quem do erro alimenta o orgulho
A luz da verdade causa agonia.
VI. O poder e a justiça
O jogo é pesado, a carta é marcada
O dono do mundo dita o seu preço
Mas a história não tem avesso
E a conta por nós será cobrada.
Pois quem hoje manda na lei fabricada
Esquece que o tempo é o justo juiz
Não há gabinete, por mais infeliz
Que apague a verdade do povo que sente
Pois quem fere a pátria e mente à gente
Não colhe o futuro num solo aprendiz.
VII. A esperança necessária
Mas brilham as mentes de homens honrados
Que dentro da sala mantêm o aprumo
Trazendo o Brasil de volta pro rumo
Limpando o caminho de ratos engravatados.
Que os três poderes, enfim ajustados
Respeitem o rito, a ordem e o povo
Que a voz da justiça renasça de novo
Sem monocracias, sem medo ou vaidade
Pois só com o brilho da real liberdade
O mestre da pátria sai do seu estorvo.
VIII. O Apelo Final
O banquete é servido na altura,
Com vinho caro e lagosta na mesa,
Enquanto o povo, na mesma pobreza,
Só colhe a sobra da lei que é dura.
Pois quem tem o mando e a vida segura,
Não sente o peso do fardo e do açoite,
Mas que a justiça não durma na noite,
E seja igual para o rei e o peão,
Pois chega de luxo e de ostentação,
Pagos com o sangue de quem não pernoite.
Espero que tenha gostado da matéria. Se possivel deixe seu comentario no formulário abaixo. Ele é muito importante! Até a próxima!

